Etiqueta para pneus: como desenvolver um material que não existe no catálogo padrão
Case Cantu Pneus
O desafio de etiquetar pneus
Nem toda superfície aceita etiqueta. Algumas exigem pesquisa, desenvolvimento e um fornecedor disposto a trabalhar junto com o cliente até chegar no material certo.
Pneu é uma dessas superfícies. A borracha vulcanizada tem baixa energia superficial, uma característica física que dificulta a adesão de praticamente qualquer adesivo convencional. Soma-se a isso a variação de temperatura durante o transporte, a exposição à chuva, umidade, maresia e calor quando armazenado a céu aberto, e o atrito constante do manuseio e translado.
Uma etiqueta que não resiste a essas condições não cumpre sua função. E na operação de distribuição de pneus, onde a rastreabilidade de cada unidade depende da integridade da etiqueta, a falha do insumo compromete toda a cadeia.
Foi esse desafio que a Cantu Pneus trouxe para a PGS IT.
Cantu Pneus: três desafios em uma operação
A Cantu Pneus opera na distribuição e expedição de pneus para diferentes destinos, com logística que envolve transporte por caminhão aberto, translado aéreo e armazenamento em pátios externos expostos ao clima. A operação exige que cada pneu saia identificado com precisão e que essa identificação sobreviva a todo o percurso.
Quando chegaram à PGS IT, a Cantu tinha três problemas concretos, acumulados ao longo de relacionamentos com fornecedores anteriores que não haviam conseguido resolvê-los.
O problema do fornecedor
O primeiro problema era de fornecimento: atrasos de entrega, quantidades erradas, materiais diferentes do que havia sido combinado e ausência de matéria-prima em estoque quando a operação precisava.
Erros de entrega em operações de expedição têm consequências diretas. Pneus estocados aguardando etiquetas ou saindo sem identificação correta geram retrabalho, risco de perda de rastreabilidade e atraso nas remessas. Era um problema estrutural, e vinha se repetindo com fornecedores diferentes.
O que a Cantu precisava era de um fornecedor capaz de atuar de forma estratégica: com estoque de matéria-prima, prazos confiáveis e capacidade de ajustar o produto conforme as necessidades da operação evoluíssem.
O problema do produto
O segundo desafio era técnico. A Cantu não tinha uma etiqueta desenvolvida especificamente para pneu. Usava materiais convencionais, com adesivos que não eram formulados para borracha. Além disso, a fábrica armazena pneus a céu aberto, sem proteção climática. E a etiqueta precisava resistir a isso sem perder a tinta, o texto e a legibilidade do código de barras.
O resultado era muitas incertezas: como a etiqueta se comportaria colada em um pneu sendo transportado em caminhão aberto, sob chuva? E no translado aéreo, com variação de pressão e temperatura? E no armazenamento em pátio externo, exposto ao sol, ao calor e à maresia de portos e aeroportos?
Havia ainda uma exigência adicional: a etiqueta precisava ser compatível com dois tipos de impressora. Na expedição, a Cantu queria trabalhar com impressoras móveis, portáteis, para impressão na doca de saída. Internamente, usava impressoras fixas com configuração distinta. O mesmo produto não servia para os dois contextos: ou a compatibilidade era garantida, ou seriam necessárias duas soluções separadas.
O problema do custo
O terceiro desafio era econômico. Uma etiqueta desenvolvida com adesivo especial para borracha, com material resistente a intempéries e compatível com múltiplas impressoras tem custo de produção mais elevado que uma etiqueta convencional. Para que a solução fosse viável na operação da Cantu, ela precisava ser sustentável em custo ao longo do tempo.
Era um pedido de desenvolvimento contínuo: à medida que a operação evoluísse e as necessidades mudassem, o produto e o processo precisariam acompanhar, com melhorias que progressivamente tornassem a solução mais eficiente e com melhor custo por etiqueta produzida.
Como a PGS IT desenvolveu a solução
A PGS IT desenvolveu dois produtos para atender as demandas da Cantu, com características distintas para cada contexto de uso dentro da operação.
O primeiro produto foi desenvolvido para as impressoras fixas internas. Utiliza papel couché sem acabamento térmico, combinado com o adesivo fast tire (formulação específica para aplicação em borracha), com alto tack inicial e capacidade de aderência em superfícies de baixa energia superficial. Esse adesivo foi o resultado do trabalho conjunto com o fornecedor de labelstock para desenvolver um material que não existia no portfólio padrão.
O segundo produto foi desenvolvido para as impressoras portáteis na doca de expedição. Mantém o adesivo fast tire e o papel couché, mas com acabamento térmico para compatibilidade com impressão direta, sem ribbon. Esse, roda nas impressoras móveis locadas na operação da Cantu, garantindo que a identificação seja feita no momento da saída do produto, na própria doca.
Os dois produtos passaram por validação em campo, testados nas condições reais da operação: chuva, calor, maresia, e manuseio em transporte.
Evolução contínua: da etiqueta térmica ao ribbon
O projeto não parou no desenvolvimento inicial. À medida que a Cantu cresceu e a operação evoluiu, a PGS IT acompanhou com melhorias no produto e no processo.
Uma das mudanças mais significativas foi a transição das impressoras portáteis. O modelo anterior, a ZQ630, comportava rolos de apenas 60 etiquetas, um gargalo operacional que afetava a produtividade e aumentava o custo de mão de obra.
A solução foi substituir as impressoras portáteis por um novo modelo que comporta 300 etiquetas por rolo - cinco vezes mais. Com isso, o operador interrompe a linha de expedição com muito menos frequência, a produtividade aumenta e o custo de mão de obra por etiqueta produzida cai.
Junto com a mudança de impressora, veio também a mudança de material. As impressoras móveis que anteriormente exigiam etiqueta térmica passaram a trabalhar com etiquetas com impressão via ribbon. A etiqueta não térmica tem custo de matéria-prima mais baixo que a térmica, e o novo modelo de impressora suporta esse formato sem perda de desempenho.
O efeito combinado foi redução de custo de matéria-prima, redução de custo de mão de obra e melhoria na performance da área fabril.
As impressoras fixas internas seguem operando com o mesmo material desenvolvido na fase inicial do projeto: papel couché com adesivo fast tire, rodando nas ZT411 e ZT231 locadas na operação.
O que esse case ensina sobre especificação de etiquetas
O case da Cantu Pneus é um exemplo direto de por que a especificação de etiquetas não começa pelo catálogo. Começa pela análise da aplicação.
Nenhum produto de prateleira resolve o problema de uma etiqueta que precisa aderir a borracha vulcanizada, resistir a armazenamento externo em região litorânea e ser compatível com impressoras portáteis em doca de expedição. Esse produto precisou ser desenvolvido.
O que tornou o desenvolvimento possível foi a combinação de três fatores: um fornecedor com capacidade técnica e estoque de matéria-prima, um processo de trabalho conjunto com o fornecedor de labelstock para desenvolver o adesivo adequado, e disposição para acompanhar a operação do cliente ao longo do tempo, ajustando o produto conforme as necessidades mudavam.
Essa é a diferença entre fornecer insumo e atuar de forma estratégica no fornecimento.
A sua operação tem uma aplicação específica que os fornecedores convencionais não conseguem resolver? Fale com um especialista da PGS IT.
Perguntas frequentes
Por que etiquetas convencionais não aderem bem a pneus?
A borracha vulcanizada tem baixa energia superficial, característica física que dificulta a adesão de adesivos convencionais. Para garantir fixação estável, é necessário um adesivo formulado especificamente para esse tipo de substrato, com alto tack inicial e capacidade de manter a adesão mesmo em variações de temperatura e exposição à umidade.
O que é um adesivo fast tire?
É uma formulação de adesivo desenvolvida especificamente para aplicação em borracha e superfícies de baixa energia superficial. Garante fixação imediata e estável, resistindo às condições de armazenamento e transporte típicas da operação de distribuição de pneus.
Qual a diferença entre etiqueta térmica e etiqueta com ribbon para impressoras móveis?
A etiqueta térmica é impressa por calor direto - o frontal é sensível à temperatura e a imagem é formada sem ribbon. A etiqueta com impressão via ribbon utiliza uma fita de transferência térmica para depositar a tinta no frontal. Para aplicações externas ou de longa duração, a impressão com ribbon tende a ser mais durável. Para operações de alto volume com impressoras móveis, a migração para ribbon pode reduzir o custo de matéria-prima e aumentar a capacidade de impressão por rolo.
A PGS IT desenvolve etiquetas para aplicações fora do portfólio padrão?
Sim. A fábrica própria de etiquetas, combinada com o relacionamento com fornecedores de labelstock certificados, permite o desenvolvimento de materiais específicos para aplicações que exigem adesivos, frontais ou configurações fora do padrão. O processo inclui análise da aplicação, desenvolvimento conjunto com o fornecedor e validação em campo.
Como funciona o fornecimento de etiquetas para operações com alto volume e ritmo constante?
A PGS IT estrutura o fornecimento com base na demanda e no ritmo da operação do cliente, garantindo disponibilidade de matéria-prima em estoque e prazos de entrega previsíveis. Para operações como a da Cantu, que não comportam atrasos na linha de expedição, a previsibilidade de entrega é parte da solução.
Fale com a PGS IT e descubra se a sua aplicação exige um material desenvolvido sob medida.

